sexta-feira, 24 de Julho de 2009
agora você reconhece. eu também reconheço, mas já faz algum tempo. tem sido difícil. passei os últimos dias entre a sala e o corredor dos quartos, sem nenhum plano, esquecendo uma coisa a cada viagem, parando apenas para acender a luz e verificar o telefone. recolhi quase tudo, mas a casa parece devolver aos poucos a sujeira acumulada dos anos. ficam parafusos, buracos no concreto, marcas de pés e dedos, panos de chão. desmontei a estante. o assoalho está novo onde os móveis o guardaram do sol. são duas casas, imagino. separei algumas fotografias. os mortos, como no filme, que não podemos enterrar, e então os rasgamos ou acendemos uma fogueira ou os distribuímos em caixas cada vez menores. ainda penso no seu último argumento. a língua de fogo do inferno, gordo, fogo, gordo. uma certa ordem no exagero. tenho febre, dor nos pés e vontade de comer ovos fritos.
Subscrever:
Mensagens (Atom)